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1 December 2021

Salvador teve 7 mortes por afogamento este ano; mudança de estação aumenta perigo

Além das três mortes do final de semana, outra morte foi registrada no início deste mês

Com o registro da sétima morte por afogamento este ano, nas praias de Salvador, e o aumento de 157% nos casos de pré-afogamento, no comparativo entre setembro do ano passado e os primeiros 20 dias deste mês, o coordenador-geral do Salvamar, João Moraes,  indicou máximo cuidado aos banhistas, para evitar novas tragédias, especialmente por conta do período de mudança entre as estações. “Neste período do ano, a transição entre Inverno e Primavera contribui bastante para este comportamento do mar, deixando a corrente ainda mais forte”, explicou.   

Além das três mortes do final de semana, outra morte foi registrada no início deste mês. Danilo Santos de Souza, 24 anos, se afogou na praia de Jaguaribe ao tentar resgatar outro banhista,  no dia 6 de setembro.  Os outros três casos do ano foram registrados em fevereiro, na Barra,  em abril, no Bonfim, e em maio, na praia de Amaralina.

Wilson Neto dos Santos, 23 anos, Gabriel Alves dos Santos, 22, e Diego Paranhos Guimarães, 26, morreram afogados em Itapuã, no sábado. Em uma cerimônia coletiva, amigos e familiares dos jovens prestaram, ontem à tarde, no cemitério Campo Santo, as últimas homenagens aos jovens amigos do bairro de Paripe, que morreram afogados, na tarde de sábado, na praia do Bora-Bora, próxima ao Farol de Itapuã.

O corpo do entregador Diego foi encontrado no final da tarde de domingo, na altura da Rua K, em Itapuã. Ontem pela manhã foram localizados os corpos do eletromecânico Wilson, também em Itapuã, e do estudante Gabriel, na altura do Atakarejo, em Piatã.

Comovidos, parentes e amigos lamentaram as mortes dos jovens. Durante o velório, um amigo das vítimas passou mal, foi amparado, e deixou o cemitério em uma cadeira de rodas. A mãe de Diego — que sonhava ser jogador de futebol — estava sob efeito de medicamentos. Muito abalados, familiares de Wilson e Gabriel não quiseram falar com a imprensa.

O padrasto de Diego, Ubiracir Martins, descreveu o jovem como uma pessoa prestativa e alegre. “Ele gostava de ajudar as pessoas, sempre foi muito bondoso com todo mundo. Temos muito orgulho dele. O que fica agora é a saudade. Estamos com o coração partido”, lamentou.

Sonhos

Ainda segundo Martins, Diego jogava como meio-campista do time amador Santa Fé, de Paripe, tinha planos de se tornar atleta profissional. “Ele estava planejando ir para a Espanha no final do ano, tentar alguma coisa por lá”, lembrou o padrasto.

Em homenagem às vítimas, os colegas do time foram ao cemitério, na Federação, vestidos com a camisa do Santa Fé. Segundo o estudante Edcleison da Silva Neves, 20, o trio tinha participado de um jogo de futebol um dia antes do afogamento.

“A última vez que nos vimos foi no baba. Eles estavam felizes. Depois que terminou o jogo, ficamos conversando, depois fomos para casa. Eram meninos de ouro”, afirmou.

Uma prima de Gabriel, que se identificou apenas como Mel, informou que o jovem morava com a mãe e a avó e estava concluindo o ensino médio. “Era um eterno sonhador, cheio de planos. Estamos todos muito abalados com tudo isso que aconteceu. Era um meninão, sempre teve esse espírito de ajudar os outros. É um herói”, declarou.

Uma vizinha de Wilson e um primo informaram que ele estava de casamento marcado, e que a namorada, Jéssica Freitas, está grávida de três meses. Ela também está bastante abalada e a família informou que a jovem não falaria com a imprensa.

Afogamento

O estudante Nilson Weverton, 25, também estava com os amigos na hora do afogamento. Ele chegou a entrar no mar, mas foi socorrido por um salva-vidas. Vestido com a camisa do Santa Fé, Weverton também não quis falar sobre o ocorrido, ontem.

Na véspera, antes da confirmação da morte dos amigos, ele contou ao CORREIO como ocorreu o acidente no mar. “Eu estava fora da água. Quando vi, eles já tinham caído no mar. Entrei também para tentar salvar alguém, mas não consegui”, relatou, enquanto acompanhava as buscas. Ainda segundo Nilson, “a distância de um para o outro estava muito curta e eles se afogaram muito rápido”.

Churrasco

A tarde que terminou em tragédia começou com um churrasco animado, à beira-mar, que reuniu, além dos amigos, familiares e vizinhos. Wilson foi quem resolveu organizar a festa na praia do Bora-Bora, conhecida pela forte correnteza.

Parentes contaram que o eletromecânico sabia nadar, mas conhecia a praia há pouco tempo. “A primeira vez que ele veio aqui foi no dia 7 de setembro e depois desse dia, ele só falava nesta praia. Ficou fascinado”, relatou um primo.

Foi justamente esta insistência que levou os rapazes para aquela parte da praia, próximo ao Farol de Itapuã. “Ele só disse à mãe que ia para um churrasco. Ela nem sabia que seria na praia”, conta Alexandro dos Santos, um dos vizinhos que acompanhavam as buscas, no domingo.

Por: Diogo Costa/ Rede Bahia

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