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7 March 2021

Sem Neymar, Brasil encara Alemanha por vaga na final

  • Felipão reúne o grupo e passa orientações

A Seleção Brasileira pode conquistar o hexacampeonato sem Neymar em campo? O técnico Felipão e o zagueiro Thiago Silva não têm dúvidas de que sim. Nesta segunda-feira, 7, véspera da semifinal contra a Alemanha, o treinador e capitão da equipe fizeram coro em entrevista coletiva, no Mineirão, ao dizer que a parte que cabia a Neymar fazer pelo Brasil ganhar na Copa já foi feita. Os dois concordam que pertence aos outros 22 jogadores – mais a comissão técnica – a tarefa de não deixar a taça sair do País.

"O próprio Neymar conversou com os jogadores e fez com que eles entendessem que a parte dele,  ele já tinha feito, e que agora é a minha, a do Thiago… Agora é a nossa parte que temos que fazer", destacou Felipão, que enalteceu a qualidade do grupo que tem em mãos.

"Vamos sentir muito a competitividade, a forma como o Neymar jogava, a alegria, mas temos um grupo com condições de superar as dificuldades e seguir em frente. Temos uma equipe com mais 22 que foram escolhidos a dedo e sabem que são especiais", finalizou.

 

Suspenso (pelo acúmulo de dois cartões amarelos), Thiago Silva não encara a Alemanha nesta terça, 8. Ausente como Neymar (lesionado), o zagueiro e capitão do Brasil corroborou com o discurso do treinador.

"Ele (Neymar) já fez a parte dele. Agora é a parte dos outros 22, de tentar a vitória principalmente para ele, que levou uma entrada covarde", disse Thiago, em referência à falta cometida do colombiano Zúñiga em Neymar, que causou a fratura na coluna do craque.

A CBF ainda tentou reverter a suspensão de Thiago, sem sucesso. Para conceder a entrevista coletiva no final da tarde desta segunda, no Mineirão, Felipão e Thiago Silva viajaram de helicóptero. Uma vez que horas antes ao compromisso obrigatório da Fifa, ambos participaram de um treino na Granja Comary, no Rio de Janeiro.

Mistério

Na atividade, o técnico manteve a mesma estratégia usada desde as quartas de final. Ou seja, apesar de o treino ser aberto, Felipão não deu  dicas do time que vai a campo.

Tática para confundir a cabeça não só dos jornalistas estrangeiros e brasileiros que acompanham a Seleção, mas também dos rivais da equipe verde e amarela na reta decisiva da Copa do Mundo.

Enquanto todos esperavam apenas a troca de Willian na vaga de Neymar, cortado por lesão, e Dante no lugar de Thiago Silva, Felipão entrou em campo com um trio de volantes formado por Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho, sem a presença de Willian.

Colocou ainda Daniel Alves no lugar de Maicon. No decorrer do treino, pôs Willian e Maicon, tirando Paulinho e Daniel Alves, colocando ainda  Bernard no lugar de Oscar. Poucos minutos depois, Oscar voltou no lugar de Willian, e Hernanes no lugar de Fernandinho.

Do meio para o fim do treino, até os jornalistas já estavam perdidos com tantas alterações. O excesso de mudanças também pode ser visto como uma resposta do treinador aos críticos da Seleção, que reclamam da falta de varição tática do time.

Porém, o mais provável é que Felipão vá mesmo com Willian no lugar de Neymar.  Já na zaga, o baiano Dante deve levar a melhor sobre Henrique e ficar com a vaga de Thiago Silva.

Questionado sobre a escalação, o comandante brasileiro foi taxativo: "Eu já tenho, mas não vou divulgar". O vencedor do duelo desta terça, encara Argentina ou Holanda, que disputam amanhã, em São Paulo,  a outra semifinal. A grande decisão será  domingo, no Maracanã.

Equilíbrio

O confronto desta terça entre Brasil e Alemanha é marcado pelo equilíbrio entre os números das duas seleções na história das Copas. Ambas as equipes são recordistas em número de finais disputadas (sete cada). O Brasil levou a melhor em cinco e perdeu duas, enquanto a Alemanha venceu três e foi derrotada em quatro decisões.

Nesta edição do Mundial, o equilíbrio entre as duas seleções também é marca registrada. Nos cinco jogos disputados até aqui, ambas marcaram dez gols. O goleiro alemão Neuer sofreu três gols, enquanto a meta defendida por Julio César foi vazada quatro vezes.

O artilheiro alemão é Thomas Müller, com três gols marcados. Pelo lado brasileiro, Neymar, que não joga mais esta Copa por conta de lesão, balançou as redes quatro vezes.

No quesito disciplina, a Seleção Brasileira está em desvantagem. A equipe de Felipão fez 96 faltas e recebeu dez cartões amarelos, enquanto o time de Joachim Löw cometeu 57 faltas e teve quatro jogadores amarelados pela arbitragem.

História

A Seleção Brasileira disputou todas as 20 edições de mundiais, enquanto os alemães ficaram de fora em duas oportunidades. Por outro lado, os germânicos têm mais partidas disputadas em copas: 104 contra 102 dos brasileiros. Ambas são as únicas seleções a terem mais de 100 jogos em Copas.

O equilíbrio está presente também no desempenho dentro de campo, com leve vantagem para o Brasil. Apesar de ter menos jogos, o Brasil supera a Alemanha em vitórias: 70 contra 64. A Seleção canarinho tem menos derrotas (15 a 20), enquanto os alemães empataram mais vezes (20 contra 17).

O Brasil também balançou as redes mais vezes (220 contra 216) e sofreu menos gols (92 a 120) do que os rivais desta terça. Os maiores goleadores de ambas em Copas são Ronaldo e Miroslav Klose, com 15 gols cada, que são também os maiores artilheiros da história das Copas.

O alemão, no entanto, pode assumir o posto sozinho caso marque mais um gol nas duas partidas restantes da Alemanha na Copa. No ranking da Fifa, os alemães estão em segundo e o Brasil, em terceiro.

Nos confrontos diretos, por outro lado, o Brasil tem grande vantagem. Foram 21 jogos, com  12 vitórias do Brasil, quatro da Alemanha e cinco empates. O primeiro duelo foi um amistoso em 1963, em Hamburgo, e o Brasil venceu por 2 a 1.

No único confronto em Copas, na final do Mundial de 2002, o Brasil venceu por 2 a 0, com direito a dois gols de Ronaldo e falha do goleiro e ídolo alemão Oliver Kahn.

 

Brasil x Alemanha – Semifinal da Copa do Mundo

Local: Arena Mineirão, em Belo Horizonte-MG

Quando: terça-feira, 7, às 17 horas

Árbitro: Marco Rodriguez

Assistentes: Marvin Torrentera e Marcos Quintero (trio do México)

Brasil – Julio César, Daniel Alves, David Luiz, Dante e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho (Willian), Fernandinho e Oscar; Hulk e Fred. Técnico: Felipão.

Alemanha – Neuer, Lahm, Boateng, Hummels e Höwedes; Schweinsteiger, Khedira, Kroos, Müller e Özil; Klose.  Técnico: Joachim Löw.

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