Setor de turismo confiante na retomada das atividades

Sete eventos previstos para o Centro de Convenções de Salvador até dezembro e 50% dos voos normalizados até o fim do ano no aeroporto da cidade foram as boas notícias divulgadas nesta terça-feira, 22, na mesa redonda realizada pelo projeto A TARDE Conecta que abordou o turismo na Bahia e as perspectivas com a retomada das atividades pós pandemia.

Oevento foi mediado pelo colunista Armando Avena, tendo como convidados Fausto Franco, secretário de Turismo da Bahia; Pablo Barroso, secretário de Cultura e Turismo de Salvador; Cláudio Tinoco, vereador e ex secretário de Cultura e Turismo do município; e Roberto Duran, diretor/presidente da Salvador Destination.

A pandemia e o confinamento em boa parte do mundo causaram perdas de US$ 320 bilhões para o turismo mundial entre janeiro e maio – apontam dados divulgados em julho, pela Organização Mundial de Turismo (OMT). Entre os principais perigos para o setor, a entidade cita “o aumento do vírus e o risco de novos confinamentos”, além da situação de “ponto morto” na China e nos Estados Unidos, dois dos principais mercados provedores de turistas. A organização alerta para a possível destruição “de 100 milhões a 120 milhões de empregos diretos” no setor.

Os participantes falaram sobre o setor de turismo sob suas perspectivas e responderam a uma pergunta do mediador sobre a retomada das atividades na indústria e no comércio e como o setor de turístico vai se sair dessa situação pós pandemia.

O secretário Fausto Franco lembrou que existe uma demanda reprimida após seis meses de isolamento social. Ele lembrou que a Bahia possui 13 zonas turísticas com 133 municípios com este viés, e que nos meses de abril e maio estava tudo parado, ocorrendo, a partir de junho, a reabertura de alguns resorts do Litoral Norte. Em abril, explicou, apenas 4%do tráfego aéreo normal se verificava no estado.

“Hoje temos 35% dos vôos e a previsão é chegar a dezembro com 50% do fluxo de vôo pré pandemia. Este será um importante ante indicativo porque sem estes voos é difícil fomentar turismo de grande escala. Aí mesmo tempo vemos a oportunidade de reforçar o turismo regional (antes da pandemia 40% dos turistas internos já era baianos). Mas as companhias aéreas de todo o mundo estão revendo suas estratégias e esperamos ganhar uma importante parcela dos vôos destinados ao nordeste, com as mudanças causadas pela pandemia. Em sete de setembro, esse movimento de turismo interno foi verificado, com boas possibilidades que se repita para 12 de outubro. Alguns municípios abriram com 50%, outros situados na Chapada Diamantina preferiram agosto arda e devem ser reaberto em outubro”, explicou.

  • Mais desejada:

Para o secretário Pablo Barroso, Salvador foi uma das cidades mais afetadas pela pandemia, mas segundo pesquisas é um dos destinos mais desejados no país. O trabalho da prefeitura nos últimos sete anos consolidou a vocação da cidade para o turismo, que representava 20% da renda interna da cidade. “Esperavamos que 2020 fosse um ano proveitoso e especial para o turismo em Salvador com a inauguração do centro de convenções, com a conclusão da reforma do aeroporto, com 70% da orla restaurada e recuperada, com a cidade limpa, quando veio a pandemia”, disse.

“Mas com a maturidade do governador do estado e do prefeito, que embora adversários políticos, se uniram para enfrentar este problema sanitário, fez com que a cidade passasse a ser vista no país como um local que respeita a vida das pessoas e que tem protocolos rígidos, fazendo com que leve vantagem na preferência de local para o turismo. Lá no início da pandemia estruturamos um plano de recuperação econômica que lançamos em agosto junto com o centro de recuperação do turismo com a agência de fomento do turismo. Sabemos que muitas pessoas ficaram desempregadas neste período e a facilidade para criar emprego na área de turismo em Salvador tem que ser aproveitada”, disse.

“Mantivemos as obras estruturantes para o turismo e para a vida da cidade e fomos a primeira cidade a receber o selo do Conselho Mundial de Viagens e Turismo. O trabalho é de retomada, mas sempre respeitando o momento da pandemia para que não haja uma segunda onda, para que não haja um retrocesso”, destacou Barroso.

 

  • Proturismo em debate na Câmara

Cláudio Tinoco destacou a atuação do poder público na estruturação de equipamentos de turismo, citando a fiscalização feita pessoalmente pelo secretário Fausto Franco na Prodetur da Baia de Todos os Santos, após anos de falta de cuidado com o projeto Proturismo. Mas, destacou a necessidade de cuidar do trade, das pessoas jurídicas afetadas pela crise o que resultou em muito desemprego.

“Estamos discutindo o projeto Proturismo na Câmara que já propunha, no início do ano, a redução de IPTU para dos hotéis, setor que já enfrentava fechamento de muitas unidades, e que se estuda ampliar para as agências e receptivos. Muitas empresas estão sem capital de giro e é preciso um programa de incentivos fiscais. Os recursos federais de R$ 5 bilhões foram anunciados, mas não chegou para estas empresas. Com recursos será possível retomar as atividades e ao mesmo tempo se tornar competitivo em relação a outros destinos”, detalhou.

Roberto Duran explicou que o turismo tem pelo menos três eixos principais e cada um terá seu ritmo de recuperação. “O turismo de lazer, gastronômico e religioso é mais pontual e sazonal, e que será o primeiro a se recuperar principalmente a partir do início do verão, porque depende da vontade do turista”, falou ele, que completou: “Já o turismo de negócios, de eventos e feiras vai demorar de cinco a dez anos para retomar o ritmo com o qual era mantido até 2019, porque ele exige previsibilidade e tempo para organização. O turismo corporativo vai se acomodar, até porque com os meio tecnológicos, poderá haver a viagem para acompanhamento presencial, no intervalo serão reuniões virtuais, concluindo o negócio com mais uma viagem presencial para fechar o negócio”, avaliou.

Duran confirmou os eventos até dezembro no Centro de Convenções de Salvador, mas, em relação aos voos, a previsão é que cheguem a 60% do que era até abril do próximo ano, e que nos próximos três anos, atinjam até no máximo 70% de movimento de 2019, devido às mudanças causadas pela pandemia, tanto em termos de equipamentos, como de funcionários, porque as empresas aérea foram obrigadas em todo o mundo, a reduzirem suas estruturas para conseguirem sobreviver.

A Tarde

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