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31 July 2021
Foto Arquivo Click Notícias

Sistema de transporte de Salvador sendo sucateado pelo prefeito ACM Neto

Responsáveis pela operação do sistema de transporte público dos ônibus de Salvador, as três empresas administradoras alegam ter, desde o primeiro mês deste ano, um déficit mensal de R$ 12 milhões. De acordo com reportagem divulgada no jornal A Tarde neste domingo (30), a associação que congrega os três consórcios (Integra) afirma que a tarifa de R$ 3,60 não é suficiente para remunerar o serviço prestado.

O déficit é o principal argumento que os empresários do ramo têm levado à prefeitura e ao Ministério Público do Estado (MP-BA) para pedir que o sistema seja revisto. Os consórcios reivindicam ainda um redesenho das linhas utilizadas na capital baiana.

A Prefeitura de Salvador alega que, embora o projeto esteja pronto, não pode ser implementado até que o impasse com relação ao rateio do valor obtido na integração com o metrô seja resolvido. Ao usar os dois modais, o usuário paga só uma passagem nos casos das linhas já integradas. Ainda segundo a reportagem, a Integra afirma que os 39% que são destinados ao ônibus (61% é do metrô) não são consideradas suficientes. “A arrecadação não está sendo suficiente para cobrir despesas. Estamos trabalhando no prejuízo. A única fonte de financiamento é a passagem. A prefeitura não oferece subsídio”, diz a Assessora técnica da associação das empresas de transporte (o antigo Setps e que hoje se chama Integra), Ângela Levita.

Prefeitura constatou situação de desequilíbrio

No ano passado, tendo como base um estudo feito pela consultoria Ernest&Young, os empresários apontaram que havia desequilíbrio econômico-financeiro no sistema, o que foi constatado pela prefeitura, que também contratou uma consultoria feita pela Deloitte. Como resultado, foi concedida revisão tarifária de R$ 0,30, de R$ 3,30 subiu para R$ 3,60.

Com o deficit, a situação impacta, também, na renovação da frota. Ângela diz que impossibilita cumprir com a exigência de manter a idade média de 3,5 anos. “Sem recurso, o banco não faz financiamento para a compra de veículos novos”.

Em março deste ano, a Concessionária Salvador Norte (CSN) teve 20 ônibus apreendidos por determinação judicial decorrente de dívidas com bancos. Segundo Ângela, não há, no momento, nenhuma ameça de nova apreensão, mas que “tudo é possível”.

Ela diz que, diante deste contexto, dificulta manter a modicidade tarifária – expressão utilizada para se referir à necessidade de que o valor da tarifa tem que ser acessível para a população. “Se quer uma tarifa módica para um sistema mais caro, mesmo diante de tantos benefícios. É preciso uma outra fonte de recurso como a criação de um fundo de transporte para subsidiar o sistema”, acrescentou.

Apesar do déficit apontado, o faturamento anual do sistema cresceu de R$ 862,7 milhões, em 2014, para R$ 914,2 milhões, em 2015. Acréscimo de R$ 51 milhões. Em 2016, a arrecadação aumentou em R$ 16, 3 milhões. A TARDE chegou a estes números com base no quantitativo de passageiros pagantes, chamados de passageiros equivalentes e publicados no site da Agência de Regulação de Salvador (Arsal), e multiplicou pela tarifa no respectivo ano.

Para Ângela, como a operação por meio de concessão só começou em abril de 2015, não pode ser feita a comparação com 2014. Com relação a 2016, ela afirma que “é uma clara demonstração do déficit que as concessionárias estão enfrentando”.

 

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