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17 June 2021

Solteiros em crise: estudo revela que casais economizam 50% a mais que eles

Uma namorada é mais barata que um whisky”, diz baiano. Veja como funciona a ‘calculadora do amor’ idealizada por economista

Tem muito solteiro convicto que está disposto a deixar de lado o clima de paquera e agito para curtir um filme a dois com direito a sofá, pipoca e Netflix. E não é só romantismo, a verdade é que questões econômicas também pesam na decisão.

Pelo menos em lazer, solteiros chegam a gastar até 50% a mais do que quem está namorando, como afirma o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) e idealizador da Calculadora do Amor (veja planilha no site do CORREIO abaixo), Samy Dana

O eletrotécnico Hugo Dias não descarta a possibilidade de engatar um namoro para cortar custos
(Foto: Marina Silva)

“Os solteiros gastam mais dinheiro com festas, bebidas, alimentação, lazer, cultura, estudos e viagens e esses serviços estão muito caros, principalmente nas grandes cidades”, explica Dana. Já os casais preferem uma programação menos badalada.

“A vida social do solteiro é muito mais ativa fora de casa. Quem está namorando, ao contrário, normalmente faz quase tudo em casa mesmo”, completa. Depois de analisar as contas, o eletrotécnico Hugo Dias, de 26 anos, está dedicado no momento a encontrar um amor.

“Estou desempregado, a crise me pegou. Se eu não conseguir uma namorada agora, não vou conseguir nunca. Se ela quiser aparecer, vai ser bem-vinda. Vai me ajudar a passar pela crise”. O eletrotécnico chega a gastar até 63,7% a mais quando está solteiro.

Festinhas, churrasco com amigos e os encontros casuais somam por mês R$ 1.020. Em um relacionamento sério, os gastos com uma pizza em casa, uma ida ao restaurante japonês e ainda com direito a lembrancinha não passam de R$ 370.

“Uma namorada é mais barata que um whisky. Se for beber um whisky importado, por exemplo, gasto R$ 160. Com a namorada, gasto R$ 160 em dois finais de semana”, compara.

Bolso x Coração
Assim como a solteirice dá asas para voar, também não impõe limites sobre quanto se pode gastar, como assegura o educador financeiro Angelo Guerreiro.

• Veja como funciona a ‘calculadora do amor’

“Ser solteiro hoje é muito caro. As pessoas saem mais, gastam mais e poucas colocam no papel o quanto ganham para bancar o status de solteiro”, diz. “Já em uma relação estável, além de ter alguém para dividir as despesas, qualquer programa que façam juntos é mais barato”.

A universitária Larissa Borba, 21, confessa que é muito bom ficar solteira, mas também não deixa de admitir que estar em um relacionamento sério impacta diretamente na fatura  do seu cartão de crédito.

“Desde que terminei meu último namoro, todo mês minha fatura do cartão vem R$ 1,6 mil. Antes, ela fechava, no máximo, em R$ 600. Quando você está solteira acaba gastando desesperadamente”, revela Larissa. O preço do coração livre é 64,7% mais caro do que um mês ‘in love’, regado a pizza, torta, hambúrguer e cineminha.

A universitária Larissa Borba acha que ser solteira é bom, mas confessa que manter o status custa caro
(Foto: Marina Silva)

“Quando começo a namorar, acabou a pegação. Gasto muito menos. Adoro ficar solteira, é divertido. Mas sinto falta de alguém para dividir a conta”, constata.

Solteiro, enrolado, namorando ou casado – independente do status de relacionamento – é preciso ter controle sobre quanto se gasta, garante Angelo Guerreiro. “Faz a diferença no orçamento quando se tem o real entendimento sobre suas receitas, despesas e atividades financeiras”, diz.

Final feliz

Como todo mundo precisa de amor, o estudante Cassius Matheus, 23, é mais um que foi atingido pelo cupido que, além de provocar aquele frio na barriga, reduziu também em 50% o gasto mensal do estudante. “O que gastava em um dia com entretenimento, gasto com ela em um final de semana”, compara.

Matheus não limitava os gastos em baladas e festinhas. Era só surgir um convite dos amigos que a curtição era certa. “Quando você está solteiro, acaba buscando lugares onde tem muita gente para socializar. Se está namorando, tudo isso perde importância e a gente acaba dando mais valor  à companhia da pessoa do que ao ambiente”, afirma ele.

“Quase namorando”, o operador de máquina Igor Espinheira, 22, também calcula que começou a gastar pelo menos a metade do que consumia na saidinha ‘de lei’ com os amigos no final de semana, algo em torno de R$ 400.

Com ela, as despesas ficam em R$ 200. “No namoro, você tem um planejamento e faz as contas antes. Solteiro, a gente não pensa em nada. Quando percebo, já gastei além da conta, porque toda hora aparece uma coisa diferente para fazer”, admite ele.

O estudante colocou na ponta do lápis o que pode ser feito com o dinheiro que está conseguindo economizar. “O que gastaria em uma balada já é o dinheiro de uma viagem que poderia fazer com ela em um feriado ou no final do ano”, planeja.

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