Subúrbio 360 recebe última edição do Novembro Pretinho, com programação gratuita e foco na infância negra nesta sexta
O Novembro Pretinho encerra, nesta sexta-feira (14), a agenda iniciada no Festival Julho das Pretinhas com uma programação gratuita dedicada à infância negra no Espaço Boca de Brasa – Subúrbio 360, das 14h às 16h30. O projeto reúne ações voltadas à arte, educação, ancestralidade e valorização da identidade negra.
A iniciativa é realizada pelo Instituto Calu Brincante e pelo Bonde da Calu em parceria com a Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM), e promove o encontro de crianças, educadores, artistas e famílias em um movimento que reforça o protagonismo da infância negra.
“São espaços de pertencimento e autoestima também para as crianças negras da comunidade periférica, estimulando o reconhecimento da própria identidade por meio das expressões artísticas”, afirmou o coordenador geral dos espaços Boca de Brasa, Will Araújo.
Programação destaca criatividade, leitura e experiências formativas
A agenda começa com a Feira da Criatividade, que apresenta um balcão de trocas de livros de literatura preta infantilpara incentivar a circulação de obras de autores negros e reforçar a leitura desde a primeira infância. Também será exibida a Mostra das Ações Formativas, composta por atividades desenvolvidas em escolas e instituições parceiras ao longo do ano.
Entre os participantes estão a Escola Madre Judite, o Projeto Sódomo, da banda Didá, e o projeto Teatro para Crianças, da Companhia Encruzilhada. A apresentação reúne experiências que abordam identidade, história e construção coletiva dentro do ambiente escolar.
Ao comentar a escolha do Subúrbio 360 para o encerramento do projeto, Will Araújo destacou que a localização reforça o compromisso do poder público com políticas culturais voltadas às áreas periféricas. Ele avalia que levar a culminância para o Subúrbio representa uma ação importante.
“O encerramento em um espaço municipal localizado na nossa periferia sela o compromisso do poder público de levar cultura e fortalecer o protagonismo negro dentro de territórios muitas vezes marginalizados”, afirmou.
Homenagens celebram iniciativas de igualdade racial
A programação do Novembro Pretinho inclui ainda a entrega do Troféu Julhinhoe da Medalha Calu, destinados a estudantes e instituições que se destacaram em ações de protagonismo feminino preto e promoção da igualdade racial.
Para a atriz e produtora Lucila Laura, a conclusão das atividades simboliza o fechamento de um ciclo que reuniu diferentes iniciativas ao longo do ano. “É o fortalecimento da ideia de que educar é também um ato de libertar”, afirmou a atriz.
Ela lembrou que o Julho das Pretinhas começou ainda em maio com o Circuito Letras Pretinhas, que circulou por regiões como Liberdade, Retiro, Barbalho, Centro Histórico e Subúrbio Ferroviário. As ações envolveram bibliotecas, escolas e espaços culturais, ampliando o alcance das atividades dedicadas à infância negra.
A atriz Cássia Valle reforça que os festivais de julho e novembro demonstram a potência da articulação entre educação, arte e ancestralidade. Segundo ela, os espaços públicos ajudam a fortalecer vínculos comunitários e estimular o contato das crianças com expressões culturais diversas. “O Novembro Pretinho é o momento de celebrar o que construímos juntos, com as crianças, escolas e famílias. Reafirmar o brincar, o aprender e o sonhar”, pontuou.
Espetáculo Maria Felipa encerra programação do Novembro Pretinho
O encerramento deste ciclo será marcado pelo Recital Maria Felipa, espetáculo que retoma os eixos do festival e homenageia uma das principais figuras femininas da resistência baiana. A apresentação reafirma o compromisso do projeto com a preservação da memória e o fortalecimento da identidade negra desde a infância.
Com entrada gratuita, o público pode participar das atividades no Subúrbio 360, espaço que integra a rede de equipamentos culturais da Prefeitura de Salvador e que recebe, ao longo do ano, ações formativas, oficinas e projetos comunitários.
