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5 June 2026

Suspeito de estupro coletivo de crianças em São Paulo é preso na Bahia após fuga interestadual

Um homem de 21 anos, identificado como Alessandro Martins dos Santos, foi preso na madrugada deste sábado (2) no município de Brejões, na Bahia, suspeito de participação em um estupro coletivo de vulneráveis ocorrido na zona leste de São Paulo. O crime, que envolveu duas crianças de 7 e 10 anos, aconteceu no dia 21 de abril e gerou forte comoção social. A prisão foi realizada por agentes da Guarda Civil Municipal (GCM), após uma denúncia de tentativa de furto em uma residência localizada na Rua da Torre, no distrito de Serrana.

Durante a abordagem, os guardas identificaram que o suspeito possuía características semelhantes às de um foragido procurado pela polícia paulista. Segundo o comandante da corporação, Cláudio Sérgio Silva Souza, ao ser questionado, o homem confessou participação no crime e afirmou que havia fugido de São Paulo por medo de represálias. Ele foi encaminhado à Delegacia Territorial de Jequié, onde permanece preso temporariamente, aguardando transferência.

Investigações apontam ação em grupo e envolvimento de menores

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso envolve ao todo cinco suspeitos: quatro adolescentes e um adulto. Até o momento, três menores já foram apreendidos, dois na capital paulista e um no município de Jundiaí, na região metropolitana. O quarto adolescente segue foragido.

As investigações estão sob responsabilidade do 63º Distrito Policial (DP), localizado na Vila Jacuí, que conseguiu identificar os envolvidos após o caso vir à tona, três dias após o crime. A demora na denúncia, segundo autoridades locais, ocorreu por medo por parte dos familiares das vítimas.

“As investigações prosseguem para o completo esclarecimento dos fatos e para a apreensão do quarto adolescente envolvido”, informou a SSP em nota oficial.

Vídeos dos abusos foram gravados e compartilhados

Um dos aspectos mais questionáveis do caso é o fato de que os próprios agressores gravaram os abusos e compartilharam os vídeos em redes sociais. Ao menos cinco registros foram identificados pelas autoridades.

Em um dos vídeos, com cerca de 63 segundos, é possível ouvir as crianças chorando, gritando e pedindo para que os agressores parem. As vítimas dizem ao menos nove vezes “para” e cinco vezes “eu não quero”, enquanto são ignoradas. Os suspeitos aparecem rindo, insistindo nas agressões e praticando violência física. A circulação dessas imagens intensificou a indignação popular e ampliou a pressão por respostas rápidas das autoridades.

Acompanhamento das vítimas e rede de proteção acionada

As duas crianças estão sendo acompanhadas pelo Conselho Tutelar, além de assistentes sociais e profissionais de saúde. Elas também recebem apoio por meio do Projeto Bem-Me-Quer, programa do governo estadual voltado ao acolhimento de vítimas de violência sexual.

Segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, após a identificação das vítimas, toda a rede de proteção foi imediatamente acionada. As crianças receberam atendimento médico especializado e foram encaminhadas a hospitais de referência.

Uma das vítimas, de 10 anos, foi levada com familiares para um equipamento da prefeitura, enquanto a outra, de 7 anos, passou a viver com o pai em outro município, também sob acompanhamento do Conselho Tutelar.

As famílias estão sendo assistidas por serviços sociais e suporte jurídico. Em nota disponibilizada para o G1, as advogadas Nathália Vieira, Fernanda Rosa, Maria Eduarda Ferrari e Eloa Romeiro afirmaram:

“A família está sendo devidamente respaldada em todos os âmbitos necessários, recebendo o suporte jurídico e acompanhamento integral diante dos fatos ocorridos.”

Repercussão e protestos por justiça

O caso gerou forte repercussão em São Paulo, especialmente na região de São Miguel Paulista, onde ocorreu o crime. Na tarde de sexta-feira (1º), moradores organizaram um protesto pelas ruas do bairro exigindo justiça e punição rigorosa aos responsáveis.

prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), classificou o episódio como “terrível”, destacando a gravidade da violência contra crianças e a necessidade de resposta firme das autoridades.

Buscas continuam para capturar último suspeito

Apesar das prisões já realizadas, as autoridades seguem mobilizadas para localizar o quarto adolescente envolvido no crime. A SSP reforçou que o objetivo é garantir a responsabilização de todos os participantes.

Além disso, a transferência do suspeito preso na Bahia para São Paulo está sendo organizada, para que ele responda judicialmente no local onde o crime foi cometido.