Data de Hoje
23 October 2021
Foto: Reprodução

Temer assumirá sozinho negociações das reformas com o Congresso

O presidente Michel Temer estará solitário no comando das negociações das reformas que tramitam na Câmara, em especial a da Previdência, já que o seu principal articulador no Congresso, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), está de licença médica. Com pressa para aprovar as mudanças no sistema de aposentadoria e pensão, Temer reorganizou na semana pré-Carnaval sua tropa de choque na Casa, tirando de destaque o então líder do governo, André Moura (PSC-SE).

O presidente entregou o cargo ao PP do deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), um dos maiores partidos da base aliada e criou a liderança da maioria, cargo que passa a ser ocupado por Lelo Coimbra (PMDB-ES), para acalmar a bancada do seu partido que reclama sistematicamente de falta de espaço nos governos dos quais participa. A saída de Moura da liderança também atende ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pediu sua demissão por divergências políticas.

Além de ter se submetido a uma cirurgia em meio ao feriado de Carnaval, Padilha foi atingido na última quinta-feira por depoimento do advogado e amigo de Temer José Yunes. À Procuradoria-Geral da República, ele colocou Padilha em situação delicada ao dizer que foi “mula involuntária” do chefe da Casa Civil. Segundo declarou Yunes, ele recebeu um pacote em seu escritório, a pedido de Padilha, do doleiro Lúcio Funaro.

A volta de Padilha da licença está prevista para a próxima segunda-feira, mas a depender da sua recuperação, o afastamento poderá se estender por tempo indeterminado. A equipe econômica já demonstrou preocupação com a condução das reformas, em especial a da Previdência. Padilha é visto como a “voz forte” do governo, capaz de conduzir o andamento dos projetos nas casas legislativas. O pano de fundo das mudanças feitas por Temer na Câmara está na desidratação do centrão, que vinha perdendo força desde a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), no ano passado, atingindo seu ápice com a reeleição de Maia, em fevereiro.

Inf. Bahia Econômica
Facebook Comments