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17 September 2021

“Temer não tem condições de unificar país”, afirma Walter Pinheiro

Desde que deixou o Partido dos Trabalhadores na semana passada, o senador Walter Pinheiro tem sido sondado por muitos partidos. O ex-petista não definiu seu futuro partidário, mas de uma coisa tem certeza: “não há menor hipótese” de se aliar ao grupo do prefeito ACM Neto (DEM).

“Qualquer posição partidária que eu venha a assumir terá como regra estar bem longe desse campo”, garantiu, em entrevista ao jornal Valor Econômico. Pinheiro ainda descartou candidatura para governador nas eleições gerais em 2018. Disse também que defenderá a reeleição do gestor estadual Rui Costa (PT). “Eu já havia decidido não disputar mais eleições pelo PT. Não morrerei se não for disputar uma reeleição ao Senado. Posso inclusive voltar para o meu setor, de telecomunicações. […] Meu próximo passo vai ser honrar compromissos qu

Ainda na entrevista, o senador assegurou que a Operação Lava Jato não influenciou a sua saída do PT. Segundo ele, o que pesou foi a impossibilidade de atuar. “Não tinha mais diálogo com a minha instância partidária. Nos últimos 15 meses, não tenho mais nenhum tipo de atuação conjunta com a bancada do PT. O governo não tem nos escutado em absolutamente nada. E sempre que ofereci propostas em um caminho diferente, diziam que eu estava atacando o governo. Estava ficando até um mal-estar com colegas como o líder Humberto Costa, de quem eu gosto muito, porque ele orientava uma coisa e eu votava contra. Então optei por não ter mais o carimbo do PT. Mas ninguém pense que fiz isso dando risada ou festejando”, pontuou.

Questionado se a participação do ex-governador da Bahia e chefe de Gabinete de Dilma, Jaques Wagner, melhorou a situação do governo, Pinheiro respondeu que não.

“Quando Wagner entrou, eu mesmo aconselhei vários senadores para ter calma porque ia melhorar, que ele é muito habilidoso, se relaciona bem com a base e a oposição, tem inteligência emocional. Mas parece que o problema não estava lá, não mudou. É estranho. Todo mundo dizia que o problema era [Aloizio] Mercadante, que era tão fechado que não dava nem bom-dia. Apanhou mais que mala velha para largar o mofo. Aí veio Wagner. Não acredito que seja falha dele. Algo na estrutura está errado”, destacou. O senador ainda se manifestou contra a volta da CPMF. Para ele, a aprovação do imposto irá tirar o “oxigênio de quem conseguiu ficar de pé”.

‘Temer não tem condições de unificar país’

O senador Walter Pinheiro disse na entrevista que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) não tem condições nenhuma de unificar o país caso a presidente Dilma Rousseff (PT) sofra impeachment. “Temer pode me surpreender em sua capacidade de conciliar, mas não acredito. Ele não conseguiu unificar nem o partido dele, quanto mais a nação. A experiência dele no PMDB não é de boa. Não sei se ele tem os atributos necessários a este momento de nossa história”, afirmou.

O ex-petista disse ainda ter dúvidas se o ex-presidente Lula (PT) será capaz de solucionar a crise no Ministério da Casa Civil. “A ida de um quadro como Lula para o governo é algo que qualquer um poderia avaliar, ontem, como uma grande aquisição. Quem não quer ter o Pelé, o Messi no time? Mas tenho dúvidas se a tacada não veio com uma dose de atraso considerável”, pontuou. Para Pinheiro, o Senado não irá barrar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O ex-petista se esquivou, no entanto, ao falar como votará. “Tenho posição. Mas costumo brincar que ninguém escolhe sofrer por antecipação. Então, não falo”, afirmou

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