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29 July 2021
Foto: Reprodução/internet

Trabalho infantil na venda de amendoim será alvo de fiscalização em Salvador

A presença de crianças e adolescentes comercializando amendoim pelas ruas e ônibus na capital, tem chamado a atenção da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). Segundo o Chefe de fiscalização de trabalho infantil, Antônio Ferreira, o órgão irá intensificar a vistoria no entorno dos terminais e nos coletivos.

Com cerca de 71 mil casos irregulares de trabalho infantil, a Bahia é o segundo estado no ranking feito, no ano de 2015, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os números são personalizados no cotidiano de Salvador e Região Metropolitana, sobretudo nos pontos de ônibus, onde jovens costumam vender amendoins.

“Além destes lugares, os jovens também arriscam circular entre os carros durante o engarrafamento”, ressaltou Antônio sobre a atuação e abrangência do comércio infantil, que, para ele não agrega benefícios para o jovem.

A dupla de adolescentes João* e Wellington* vendem amendoim torrado, por R$ 1, na região do ponto de ônibus localizado na avenida Aliomar Baleeiro, próximo ao Salvador Norte Shopping.

“Geralmente, vendo 50 porções por dia. Do dinheiro, tiro a metade e dou o resto para a minha mãe”, disse João, que ainda divide a casa com seis irmãos.

Ele mora e estuda no bairro de Itinga, em Lauro de Freitas, mas compra a mercadoria em Itapuã. “Trabalho depois da aula. Às 15h, chego aqui (ponto de ônibus) e fico até as 20h” explicou o jovem de 14 anos.

João disse que o ofício não atrapalha o estudo, mas pondera que prefere estar na escola que na rua. “Gosto de português e matemática. Estaria fazendo o dever agora, se estivesse em casa” revela o jovem que, no futuro, pretende ser bombeiro.

Estudar e ter uma profissão também está no imaginário do garoto Wellington. Amigo de João, o menino de 11 anos que vende amendoim na rua, disse sonhar em ser jogador de futebol.

Até o momento, os sonhos não parecem prioridade para a dupla. João precisa circular pelo ponto de ônibus para vender as porções.

Já Wellington conseguiu comercializar todo o estoque do dia, mas, no momento da entrevista, teve que passar em Itapuã para reposição, pois no dia seguinte a rotina se repete.

Consumidores

Para Bruno Queiroz, diretor de infância e juventude da Secretaria de Políticas para Mulheres e Juventude (SPMJ), os motoristas e passageiros de ônibus estimulam o trabalho infantil quando consomem os produtos.

“Pela solidariedade à família, compramos para ajudar, mas ao invés disso, devemos denunciar casos de exploração infantil”, defende Bruno.

Além do boicote ao trabalho irregular, o diretor acredita que a construção de escolas de tempo integral é uma alternativa para afastar os jovens da rua.

“Até o ano de 2020, queremos implantar 10 mil vagas para atividades de música, teatro e esporte que irão acontecer no contraturno escolar. Com isso, vamos afastar os jovens do trabalho irregular”, planeja Bruno.

Por Francisco Artur / A Tarde
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