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16 May 2021
Bebê precisava de uma internação em UTI pediátrica, mas a vaga demorou muito (Foto:Reprodução)

Transferência para UTI demora e bebê de três meses morre no Rio

Pedro Carolino nasceu com problemas cardíacos e havia sido operado, mas precisava de uma internação em UTI pediátrica

Um bebê de três meses que estava internado no Hospital da Mulher Heloneida Studart, em São João do Meriti, na Baixada Fluminense, morreu na madrugada deste domingo, dia 24, sem conseguir transferência para uma unidade especializada.

Pedro Carolino Matoso Reis nasceu com problemas cardíacos e havia sido operado, mas precisava de uma internação em UTI pediátrica.

A vaga demorou a aparecer. Segundo a advogada Vanessa Palomanes, que deu assistência jurídica à família, a Secretaria de Estado de Saúde demorou para encontrar um leito disponível para Pedro.

Pedro Carolino nasceu com problemas cardíacos e havia sido operado (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Pedro Carolino nasceu com problemas cardíacos
e havia sido operado (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

A vaga só saiu na sexta-feira, quando o estado de saúde gravíssimo do bebê impossibilitava a remoção. Ele havia contraído pneumonia e tivera duas paradas cardiorrespiratórias na quinta-feira.

“O aparelho que ajudava a respirar começou a dar problemas, mas ninguém deu bola, disseram que era assim mesmo. Na segunda, o quadro dele começou a piorar, e os médicos informaram que o caso era para UTI pediátrica. Colocaram o nome dele na central de vagas na terça, mas no mesmo dia o Estado tirou porque ele não teria perfil para UTI pediátrica”, contou o pai, Sérgio Carolino.

No Hospital da Mulher, Pedro estava internado em uma UTI neonatal. Esse tipo de unidade é destinada a bebês com até 28 dias de vida, segundo regulamento técnico da Associação de Medicina Intensiva Brasileira. “Ficamos num limbo, porque ele não podia ficar na UTI neonatal e não tinha perfil para a UTI pediátrica”, disse o pai.

Em nota, a direção do hospital afirmou que Pedro vinha recebendo “todo o atendimento e a assistência necessários ao seu quadro clínico na unidade”.

“Cabe esclarecer que não é verdadeira a informação de que a UTI neonatal só tenha capacidade para atendimento de crianças de até 28 dias. Faz parte da rotina das UTI neonatais a permanência de recém-nascidos por mais de dois meses, como foi o caso de Pedro”, diz a nota.

A Secretaria Estadual de Saúde informou que a direção do HMHS dispunha de todas as condições adequadas para o tratamento de Pedro, não sendo possível a transferência do paciente por causa da gravidade do quadro. A criança foi enterrada ontem, em Mesquita.

Por Estadão Conteúdo
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