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27 January 2022

Transportes Clandestinos em Salvador vem causando demissões de rodoviários , CUT acionará o Ministério Publico

Não é de agora que as concessionárias do serviço de transporte urbano vêm pedindo quebra de contrato ou revisão do acordo firmado.

As concessionárias entraram em fevereiro de 2018 com processo contra a Prefeitura de Salvador para devolver o serviço à mesma. Com contrato firmado em outubro de 2014 e operações iniciadas em maio de 2015, as empresas chegam ao final de 2017 com prejuízos que alcançam o montante de R$ 280 milhões, segundo balanços auditados pela Grant Thornton.

A empresa aponta em seus relatórios, desde o ano de 2016, que existe “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional do sistema de transporte”.

 

Durante cerca de 20 minutos de entrevista, o diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Tiago Ferreira fez duras críticas a prefeitura e esclareceu a atual situação do transporte público, esclarecendo como a população veem sofrendo com a retirada de linhas, determinada pela Prefeitura de Salvador, e citou números alarmantes de desempregados por conta da retirada de linhas de ônibus. Com acúmulo de prejuízos financeiros, os empresários do transporte público de Salvador não descartam até mesmo uma intervenção judicial.

 

Durante a entrevista foi citado o reajusto salarial, no qual todos os anos, os rodoviários fazem protesto para que correção aconteça, Tiago disse que a cada dia os rodoviários estão perdendo postos de trabalho por diversos motivos. “ Foram 2.500 demissões nos últimos anos. Os trabalhadores foram demitidos de forma gradativa . E se for retirado mais linhas de ônibus essa soma sobe para 3.000 desempregados”.

Tiago, citou outras capitais e deu o exemplo de São Paulo, que a prefeitura, tem um recurso destinado ao sistema de transporte público, “aqui na capital é o contrário, a prefeitura de Salvador parece cobrar pedágio, as empresas de ônibus tem que pagar para circular. Não podemos deixar de citar a retirada de linhas de ônibus e isso tem provocado desemprego”, disse.

 

A redução da frota regular, por parte da Prefeitura de Salvador, através da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) não acontece apenas nos sábados e domingos, mas sim, desde a implantação do transporte metroviário sob a alegação que o serviço precisa ser otimizado para ofertar maior fluidez aos motoristas.

Com menos ônibus circulando surge um novo serviço que está se espalhando em toda a capital da Bahia, o transporte clandestino, que muitas vezes serve para suprir as necessidades da população.

Sem nenhuma fiscalização por parte da Prefeitura de Salvador e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) o serviço clandestino, vem circulando em vários pontos da cidade, são cerca de 2.800 transportes clandestinos circulando, sem segurança alguma, coloca em risco a vida da população, sem obedecer às leis de transito, atrasando os ônibus e causando engarrafamentos. De acordo com a Semob, no começo de 2017 foram apreendidos 40 veículos que faziam transporte clandestino em Salvador.

 

“ É preciso ampliar ônibus para o aumento de emprego e não retirar, como tem acontecido notoriamente. O poder judiciário também precisa se posicionar, pois nós defendemos o emprego formal, e o que tem acontecendo é diversas cooperativas rodando com liminar, sendo que existe uma licitação legal para que rode ônibus legalmente, conforme as leis e com empregos de carteira assinada”. Ressalta.

 

Tiago chama atenção e avisa que irá acontecer manifestações pacíficas na cidade: “ Os rodoviários, a CUT toda a nossa mobilização, estão se organizando para logo, sem data ainda prevista, porém, com articulação já acontecendo, quero chamar a atenção do Ministério Público, vamos buscar o apoio da Câmara Municipal de Salvador, vamos buscar audiências públicas com o Ministério Público do Estado, o governo do estado a justiça do trabalho. Com o fim de sanar essa preocupação que hoje é forte dentro da categoria, iremos reunir todos, para fazer uma ampla discussão sobre o sistema de transporte de Salvador. Não iremos aceitar os rodoviários perdendo postos de trabalho, vamos à luta. Concluiu.

 

Por: Mara Silvany/ DRT: 5645/BA

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