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26 January 2021

Turismo da vacina: brasileiros marcam viagens em busca de imunização

Em pronunciamento oficial nessa quarta-feira (6/1), o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que o governo federal assegurou 354 milhões de vacinas contra o novo coronavírus a serem aplicadas na população neste ano e que o suprimento de seringas em estoque é suficiente para dar início à vacinação ainda em janeiro. Mas a falta de um plano nacional com datas definidas tem deixado muitos brasileiros assustados. Em busca de alternativas, algumas pessoas estão se mobilizando para achar uma dose nos lugares onde os calendários estão mais avançados.

É o caso da advogada Lídia Lacerda, de 54 anos, moradora do Distrito Federal. Inconformada com a indefinição dos governantes, ela decidiu, com alguns familiares, guardar dinheiro para um futuro ainda incerto. “A partir do momento em que o governador Ibaneis Rocha declarou que vai esperar o plano nacional, eu já me coloquei como uma das que vai buscar fora de Brasília a vacina”, disse. Ela está disposta a ir até São Paulo, a Bahia ou a qualquer país da América do Sul que possa oferecer uma dose.

“Não vou furar fila, mas preciso correr atrás de uma forma de me precaver. Me recuso a morrer de uma doença que já tem vacina, não vou ser uma estatística”, continuou.

Luigi Dalmaso pretende viajar para São Paulo em busca da vacina

Viajar também está nos planos do servidor público Luigi Dalmaso, de 47 anos. “Em Brasília, estou acompanhando a possibilidade de comprar nos laboratórios particulares, mas tenho predileção pela Coronavac, do Butantan. Minha mãe faz 70 anos em maio e temos uma viagem para Aruba no mesmo mês. Assim que sair em São Paulo, seja na rede pública ou privada, vamos para lá tomar”, contou.

No exterior, movimentação parecida começou a surgir após boatos de que Canadá, Estados Unidos e Reino Unido poderiam disponibilizar vacinas para estrangeiros no segundo semestre, além da possibilidade de comprá-las em farmácias e clínicas particulares. No último mês, jornais europeus e indianos também denunciaram a existência de agências de viagens que planejavam “turismo de vacinas” com pacotes para a Europa, Ásia e América do Norte.

Segundo o jornal Alarabiya, a Gem Tours & Travel, sediada em Mumbai, anunciou um pacote turístico de vacina contra o coronavírus, tendo como destino os EUA, para “indivíduos de alto patrimônio líquido”, a partir de 174.999 rúpias (US $ 2.300). Nenhum desses países, no entanto, possuem regulamentação definida sobre o assunto.

Em relação ao Canadá, no entanto, só é elegível para vacina quem faz parte dos programas de assistência à saúde das províncias, o que não é possível para turistas. Apenas residentes permanentes ou pessoas com permissão para trabalhar e que estejam empregados há no mínimo três meses terão tal permissão.

Em meio à polêmica, especialistas alertam para o perigo de um possível turismo de vacina. “Essa movimentação é preocupante por conta da equidade. Não devemos deixar na mão do capital a decisão de quem vai se vacinar. O acesso tem que ser para quem mais precisa e não para quem pode pagar”, ressaltou Jonas Lotufo Brant de Carvalho, epidemiologista e professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB).

“A outra questão é que cada um por si só vai piorar a situação da pandemia. Quanto mais movimentação de pessoas, seja por carro, avião ou qualquer outro meio de transporte, maior o risco de a doença se alastrar e piorar. Ainda mais se forem necessárias duas doses. É uma conta simples”, continuou.

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