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28 October 2021
Foto: Reprodução/TecMundo

Uber chega a Salvador sob ataque; taxistas prometem carreata contra serviço

Já Prefeitura reforçou que serviço é ilegal e diz que carros serão apreendidos

Milton Azevedo é um dos cadastrados pelo Uber para atuar na capital (Foto: Almiro Lopes/Correio)
Milton Azevedo é um dos cadastrados pelo Uber para atuar
na capital (Foto: Almiro Lopes/Correio)

O aplicativo Uber, que oferece serviço semelhante ao táxi, estreou ontem em Salvador sob ameaças do prefeito ACM Neto e do secretário da Mobilidade, Fábio Mota, que prometem apreender os veículos que oferecem o serviço, considerado ilegal, e de taxistas, que agendaram uma manifestação para a próxima semana contra a presença do app na cidade.

O Uber, por sua vez, diz que pretende pagar eventuais multas e avarias em veículos parceiros. De acordo com o presidente da Associação Metropolitana dos Taxistas de Salvador, Vandeilson Miguel, está prevista uma carreata saindo do Posto Metrô, na Bonocô, na próxima quarta-feira, às 9h, para pressionar pela saída do Uber.

“O prefeito e o secretário já se disseram contra o aplicativo. Nós vamos mostrar que eles não estão sozinhos. Vamos fazer uma grande carreata para que a gente possa aniquilar esse serviço”, declarou.

Ontem, às 14h42 (42 minutos após o início da operação na cidade), o Correio procurou por um motorista do Uber nas imediações da Federação para levar a repórter até o Campo Grande, mas não encontrou, ainda que fosse possível ver o ícone de um carro se deslocando pela Avenida Garibaldi. Às 14h44, surgiu na tela a mensagem: “Todos os veículos estão ocupados no momento. Verifique novamente mais tarde! ”. Em seguida, outra mensagem: “Não há carros disponíveis”.

A falta de prestadores do serviço talvez seja explicada pelas declarações de ACM Neto e Fábio Mota, reiterando a promessa de marcação cerrada contra os parceiros do aplicativo polêmico. “Sou contra o serviço do Uber porque ele passa ao largo de qualquer regulamentação”, reafirmou o prefeito, ontem. Ainda segundo ACM Neto, “o que haverá é fiscalização e, sempre que possível, apreensão de quem esteja fazendo esse serviço, que está à margem da lei, portanto é considerado ilegal pela prefeitura”.

Monitoramento

Mota disse que a Semob vai monitorar o aplicativo e adotará uma estratégia para autuar os motoristas e apreender os veículos. “O Uber não é regulamentado e será considerado como transporte clandestino, está passível de ser apreendido e de ser enquadrado na legislação de transporte clandestino, ser multado por rodar sem autorização e ser enquadrado no Código Penal por estar transportando passageiro, colocando vidas humanas em risco”, concluiu o secretário.

O Uber disse que pretende seguir com o serviço, que já foi regulamentado em São Paulo, está em fase de regulamentação em Goiânia e opera com liminar no Rio de Janeiro. O grupo se disse disposto a conversar com a prefeitura de Salvador para “mostrar as formas que o serviço pode melhorar a mobilidade” e ressaltou que possui respaldo legal na Política Nacional de Mobilidade Urbana, operando como transporte individual privado.

Sobre as possíveis apreensões, o Uber afirma que adota a política de ajudar os motoristas. O motorista Milton Azevedo, 48 anos, que atuava há um ano pelo Uber, em Brasília, e que pediu ‘transferência’ para Salvador, explicou que são disponibilizados dois números de telefone para que o dono do veículo possa acionar o grupo e liberar o carro em até 24 horas, sem ônus. Em casos de carros danificados por taxistas, como já aconteceu em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília, o proprietário também não tem despesas.

Procura

Apesar da ameaça ao serviço, Milton garante que a procura, no primeiro dia, já foi grande. No entanto, ele disse que não sabia se conseguiria começar a rodar ontem, já que estava comprometido com a busca por outros motoristas.

Em Brasília, o baiano tinha outro tipo de serviço de transporte, que batizava de “motorista lei seca”. Ele trabalhava nos finais de semana oferecendo transporte privado e individual para pessoas que frequentavam festas, a fim de que elas não voltassem para casa dirigindo depois de ingerir bebida alcoólica. Mas aí a chegada do Uber na capital federal acabou enfraquecendo o serviço pioneiro de Milton. A saída foi se adaptar ao Uber e se tornar um deles.

Na primeira hora, carros ocupados ou falta de veículos disponíveis (Foto: Reprodução)
Na primeira hora, carros ocupados ou falta de veículos disponíveis
(Foto: Reprodução)

E, para ele, ser Uber é oferecer serviço diferenciado. Ele argumenta que os carros pretos (todos são dessa cor) não “roubaram” os passageiros dos taxistas, mas que eles próprios “deram” três passageiros para os motoristas de Uber. “Primeiro, o passageiro que exige ar-condicionado, porque o taxista não quer ligar. Segundo, o passageiro do cartão de crédito, que muitas vezes o taxista não tem a máquina. Terceiro, aquele passageiro da viagem curta, que o taxista só falta escorraçar do táxi, mas que pra gente é ótimo”, apontou o motorista.

O diretor de comunicação do Uber no Brasil, Fábio Sabba, explica que o serviço é mais barato até que o de táxi, já que o preço inicial da corrida no Uber sai por R$ 2,50 – contra R$ 4,81 na bandeira 1 do táxi – e o quilômetro rodado sai a R$ 1,21 no Uber – metade do valor cobrado pelos táxis. O detalhe é que há um valor mínimo para a corrida Uber, de R$ 6, pago exclusivamente pelo cartão de crédito.

Para ele, a missão do Uber é oferecer transporte acessível e seguro para o maior número de pessoas possível. “É sempre ter carro disponível quando você precisar, a ponto de você não precisar ter um carro”, diz.

O que a plataforma tenta é garantir que o veículo chegue em pouco tempo. Em São Paulo, a média é de cinco minutos. Em Salvador, o tempo de espera ainda deve ser um pouco mais longo, segundo Sabba. O Uber não divulga quantos motoristas já aderiram ao serviço na cidade, mas há mais de 10 mil cadastrados no Brasil.

Por Correio
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