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19 October 2021
Foto: André Coelho / Agência O Globo

Usar crise para chegar ao poder é ‘golpe’, diz Dilma

‘É fundamental muita calma nessa hora’, pediu a presidente; ela classifica como ‘versão moderna de golpe’ usar crise como mecanismo para se chegar ao poder

Em entrevista a uma rádio de Presidente Prudente, cidade do interior de São Paulo que ela visita nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff disse ser “fundamental ter muita calma nessa hora” para enfrentar a crise política e econômica e classificou como uma “versão moderna de golpe” usar a crise como mecanismo para se chegar ao poder. Questionada se o rebaixamento da nota do Brasil a preocupa, Dilma não respondeu. Disse apenas que o Brasil “é muito maior do que sua nota” e lembrou que países como Estados Unidos e França conseguiram voltar a crescer após suas notas também serem rebaixadas. Segundo ela, o país honra todos os seus compromissos e contratos e não tem problemas de crédito internacional para atrair investimentos. Dilma entregou 2.343 moradias do Minha Casa, Minha Vida em Presidente Prudente (SP). Durante a cerimônia, voltou a falar que qualquer tentativa de “encurtar o caminho da rotatividade democrática” é golpe.

– Aconteceu com os EUA em 2011, como também com França, Itália e Espanha em 2012, e agora conosco. Todos os países foram muito maiores que suas notas. E o Brasil é muito maior que sua nota. Todos voltaram a crescer e vai ser assim com o Brasil.

Questionada pelo apresentador da rádio Comercial 1440 AM sobre a estabilidade de seu governo, Dilma disse acreditar que ainda haja, “infelizmente no Brasil”, pessoas que não “se conformam que nós sejamos uma democracia sólida cujo fundamento maior é a legitimidade dada pelo voto popular”.

— Essas pessoas geralmente torcem para o quanto pior, melhor. Na área da economia, da política. Todas elas esperando uma oportunidade para navegar em águas turvas — falou a presidente, salientando ter certeza de que o Brasil tem uma solidez institucional e que em nenhum país do mundo que passou por dificuldades semelhantes às do Brasil “você viu alguém propondo uma ruptura democrática como forma de saída da crise”.

Esse método de querer usar a crise como um mecanismo para você querer chegar ao poder é uma versão moderna do golpe. Atualmente, o que nós temos de fazer é nos unir e mais rapidamente, independente de nossas posições e interesses pessoais ou partidários, formamos o “Partido do Brasil”, que levará a mudanças da nossa situação. Por isso é e fundamental muita calma nessa hora, muita tranquilidade — disse Dilma, garantindo estar trabalhando pelas estabilidades econômica e política.

A presidente salientou que, como forma de sair da crise, seu governo vem adotando medidas de controle da inflação e de equilíbrio fiscal, além de pacotes para estimular o crescimento, como de investimentos na agricultura.

— Vamos atravessar esse período de crise — disse Dilma, que não falou sobre CPMF.

Na cerimônia de entrega das casas, Dilma voltou a falar que qualquer tentativa de “encurtar o caminho da rotatividade democrática” é golpe. Afirmou, ainda, que o governo está dando uma “apertada no cinto” para assegurar os programas que vão garantir “o futuro das pessoas”.

— Qualquer forma de encurtar o caminho da rotatividade democrática é golpe, sim. Principalmente quando é feito só de atalhos questionáveis — disse a presidente, que continuou: — Conquistamos a democracia com imenso esforço. Qual a base da democracia? É a legalidade e a legitimidade dada pelo voto de cada um dos brasileiros e brasileiras.

Em uma crítica indireta à oposição, a presidente voltou a falar que tem muita gente no Brasil que aposta no “quanto pior, melhor”.

— Tem muita gente que acha que se piorar na política é melhor pra eles, E se piorar na economia, é melhor pra eles. Eles acham que beneficia eles. Não olham se o quanto pior melhor prejudica a população.

A presidente comparou a crise econômica a dificuldades enfrentadas diariamente por famílias. Segundo ela, os cortes de gastos não vão afetar programas importantes, como o Minha Casa, Minha Vida:

— A gente dá uma apertada no cinto e a gente preserva aquilo que é melhor pro futuro das pessoas. É pra isso que a gente está fazendo aperto no cinto. Não é para acabar com tudo, é para manter o que é mais importante.

Dilma disse que “temos que ter tranquilidade para reconhecer onde está o problema”.

— Queremos fazer coisas importantes: controlar inflação, que corrói a renda do trabalhador e o lucro do empresário; queremos equilibrar nosso orçamento, e ainda por cima fazer uma pequena poupança pro ano que vem. Outra coisa é continuar assegurando tantos programas sociais quanto investimentos.

Enquanto no centro da cidade, cerca de 200 pessoas protestavam contra a presidente Dilma, com um boneco gigante do ex-presidente Lula vestido de presidiário e uma carreata, Dilma foi ovacionada no local da entrega do Minha Casa, Minha Vida. Cerca de 11 mil pessoas compareceram à cerimônia, segundo a prefeitura de Presidente Prudente. O público gritava palavras de agradecimento à presidente, além da frase “não vai ter golpe”.

Por Mariana Timóteo da Costa e Tiago Dantas
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