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16 June 2021

Valdevan Noventa: um histórico de escândalos embaçam candidatura em 2022

O deputado federal José Valdevan de Jesus Santos, de 52 anos, conhecido como Valdevan Noventa (PL) já trabalha na sua candidatura para o senado nas eleições de 2022. No entanto, a vasta lista de complicações, tanto em investigações policiais, e até prisões, como comportamentais, põe em xeque a trajetória limpa e ética que se espera de um representante político.

Valdevan também teve uma saída conturbada do PSC em 2021, sigla pela qual foi eleito para a vaga na Câmara em 2018, com 45.472 votos, após tentativas frustadas de assumir a presidência da executiva em Sergipe, liderada pelo ex-deputado federal André Moura. Na ocasião, o presidente nacional saiu em defesa de Moura. Após várias negativas de que deixaria o partido, Valdevan pulou do barco e foi para o Partido Liberal (PL).

A lista de escândalos começa ainda nos anos 90, quando Noventa, então diretor de Finanças do Sindicato dos Trabalhadores de Passageiros de São Paulo (SETPESP), foi indiciado em inquéritos policiais sob a acusação de roubo, estupro, homicídio e outros crimes. Ele, porém, não sofreu condenações nesses casos.

Sua primeira prisão acontece em 2003, quando diretores do SETPESP foram detidos acusados de receber propina de empresários do setor de transporte coletivo para incentivar a categoria a realizar paralisações para pressionar a Prefeitura de São Paulo, à epóca comandada por Marta Suplicy (PT), a conceder subsídios e aumentos nas tarifas.

Suspeitas de ligação do sindicato com o crime organizado, no caso a maior facção do Brasil o Primeiro Comando da Capital (PCC) surgiram quando a Polícia Federal (PF) descobriu uma lista com com 628 nomes e números de RGs de suspeitos de pagar mensalmente de R$ 300 a R$ 1.500 para o grupo.

Investigações apontaram indícios de envolvimento entre o deputado e a facção por usar duas cooperativas de transporte coletivo de Taboão da Serra, em São Paulo, onde ele era vereador na época, para lavar dinheiro. Em meio as denúncias, Noventa afirma em entrevista que “Quem ligou meu nome ao PCC deu um tiro no peito e se matou” e nega qualquer envolvimento com o crime organizado.

Uma nova prisão acontece em novembro de 2018, durante a Operação Extraneus, agora por suposto crime eleitoral no pleito do mesmo ano que o elegeu como deputado federal. De acordo com a PF, houve supostas inserções de declarações falsas na prestação de contas de campanha por parte do candidato eleito durante as eleições de 2018. As investigações apontaram que ele utilizava-se de “laranjas” para a realização de diversas doações em favor da sua campanha.

À época do caso, a procuradora do Ministério Público Federal à frente das investigações, Eunice Dantas, apontou que durante a análise da prestação de contas do deputado foi verificado que, após o período de eleições, foram registradas 85 doações todas no valor de R$ 1050, o que chamou a atenção do MPF. As doações teriam sido feitas por moradores das cidades de Arauá e Estância, da qual Noventa é natural.

A prisão foi mantida, por ordem judicial, porque durante a investigação, Valdevan Noventa foi acusado de corromper testemunhas a prestar depoimento falso. Em janeiro de 2019 ele é sai do presídio de Estância, após habeas corpus impetrado pela defesa e acatado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O detalhe é que ele passa a usar tornezeleira eletrônica.

Diante da vasta lista de escândalos, em maio de 2020, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) cassou o mandato do deputado federal, por unanimidade a favor da perda do mandato do deputado. O processo ainda tramita, dada a possibilidade de recursos, mas pleito de 2022 depende ainda de decisão judicial.

Foto: Agência Câmara dos Deputados

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