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17 May 2022

Vazamentos seletivos de delação preocupam Planalto

O governo está preocupado com a possibilidade de vazamentos seletivos das delações de 77 executivos e ex-diretores da Odebrecht. O Palácio do Planalto vive momentos de tensão, às vésperas da disputa para a presidência da Câmara e do Senado, marcadas para amanhã e quinta-feira. Embora auxiliares do presidente Michel Temer tenham recebido com alívio a notícia de que Cármen Lúcia manteve o sigilo, há receio de que, enquanto as delações ainda estiverem com o Ministério Público Federal, trechos dos depoimentos possam ser divulgados “parcialmente”, prejudicando o governo.

Nos bastidores do Palácio do Planalto e do Congresso, o comentário é o de que as delações atingem cerca de 200 políticos de vários partidos – muitos dos quais do PMDB e de outras legendas que compõem a base aliada de Temer -, além de integrantes do chamado “núcleo duro” do Executivo

O discurso oficial no governo é o de que a Lava Jato não terá o poder de obrigar o presidente a produzir uma ampla reforma ministerial. Até agora, são esperadas apenas a nomeação do líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), para a Secretaria de Governo, no lugar de Geddel Vieira Lima, e a efetivação de Dyogo Oliveira no Ministério do Planejamento. Assessores de Temer admitem, porém, que os desdobramentos das delações são imprevisíveis. Há apreensão com os efeitos da turbulência política sobre a economia. A imagem que se usa no Palácio do Planalto para definir o próximo período é a de uma “travessia em mar revolto”. (AE)

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