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23 October 2021

Vitória: Sócios se reúnem nesta quarta para decidir novo presidente com mandato “tampão”; Conheça os candidatos

A partir das 8h até 20h, desta quarta-feira (13/12), os poucos mais de 2.715 sócios em condições de voto, ou seja, com tempo mínimo de 18 meses consecutivos de associação, vão escolher o mais novo presidente do Vitória.

O futuro gestor vai assumir o posto com um “mandato tampão”. A expressão é utilizada pois o mandatário ficará no cargo até setembro de 2019. Isto porque, ele irá completar o tempo que o último presidente eleito, Ivã de Almeida – que renunciou ao cargo em novembro -, teria à frente do clube.

A eleição desta quarta será a primeira sob o novo estatuto, aprovado em abril. O texto reza que presidente e vice-presidente do Conselho Diretor precisam ser eleitos pelo voto dos sócios rubro-negros.

Segundo previsão do Estatuto do Vitória, caso nenhuma das chapas obtenha número correspondente a mais de 50% dos votos válidos, a eleição “será suspensa, sendo convocado segundo turno de votação a ocorrer no dia 20 deste mês, das 08h às 20h entre as duas chapas mais votadas”.

Ao todo,  serão cinco candidatos ao cargo de mandatário rubro-negro até o ano de 2019, quando se encerraria a gestão do ex-presidente Ivã de Almeida. São eles: Gilson Presídio – “Democracia Vitoriana” (nº 11); Manoel Matos – “Vitória Unido Vitória Forte” (nº 22); Ricardo David – “Ricardo Presidente” (nº 33); Raimundo Viana – “Amor de Leão” (nº 44) e Tiago Ruas – “Modernizar Para Vencer” (nº 55).

À frente da chapa “Vitória unido, Vitória forte”,  o conselheiro vitalício do clube, Manoel Matos, terá como vice Lucas Brandão. O empresário tem ainda o apoio dos ex-presidentes Paulo Carneiro – que seria seu gestor de futebol caso eleito -, Adhemar de Barros e Alexi Portela, ex-adversários políticos.

Em entrevista à imprensa, Matos ressaltou que “o Vitória só é forte quando é unido” e  é preciso “respeitar a experiência das pessoas que passaram por lá e deixar as brigas de lado”.

Mais veterano na disputa, Raimundo Viana, 76, vai tentar ocupar o posto pela segunda vez seguida desde que deixou  a presidência do Vitória, no final do ano passado. Como ele mesmo destaca, “seu grande ‘trunfo é a retomada dos projetos iniciados em sua gestão”. Vovô Mundico, apelido carinhoso que ganhou da torcida, terá como vice Djalma Abreu, ex-conselheiro do clube, na chapa ‘Amor de Leão’.

Tiago Ruas, 35 anos, o mais jovem da disputa, participa da eleição pela chapa “Modernizar para vencer”, com o vice Andrei Fucs, também membro do conselho deliberativo.

Já o candidato Ricardo David representa a chapa “Ricardo Presidente”, com o vice Chico Salles. Ele garantiu durante o debate promovido pelo Aratu Online, na última quinta-feira (7/12), que “como presidente do Vitória, vou levar para vocês aquilo tanto almejam: um Vitória efetivamente vencedor”. Caso eleito, Ricardo já definiu seu diretor de futebol: Erasmo Damiani, ex-coordenador da divisão de base da Seleção Brasileira.

Dentre os assuntos em destaque foram abordados: modelo de gestão, contratações e divisões de base.

Se eleito, qual será o modelo de sua gestão? Irá incorporá algo do ‘legado’ deixado por Ivã de Almeida?

Manoel Matos – Não tenho interesse em manter nada dessa gestão. Pelo que a gente sente de fora, realmente faltou liderança,  faltou conhecimento. A gestão começou a ter erros em todas as áreas. Já dei algumas entrevistas e volto a questionar: como não conseguiram tocar o clube com dinheiro em caixa, apoio do torcedor, apoio da mídia? Por isso, digo: se não conseguiram em 12 meses e ainda secaram a fonte… não tem o que aproveitar (da gestão). Precisamos, sim, contratar e capacitar pessoas para que possam fazer o melhor pelo clube.

Raimundo Viana – Eu não posso chegar aqui é desconsiderar tudo que foi feito. O problema da política brasileira, por exemplo, está no sucessor desqualificar o que o antecessor fez. A gente ficou feliz em ver as conquistas da base, o Vitória bicampeão da Copa do Nordeste Sub-20, por exemplo. Precisamos ter cautela ao falar sobre isso.

Tiago Ruas – Faltou clareza na gestão de Ivã de Almeida. Faltou política, metas claras. O Vitória sempre foi um clube fechado. Eu mesmo, torcedor de arquibancada, nunca tive chance de participar das decisões do clube. Acredito que pelo meu posicionamento no conselho fiz bem o meu papel e agora estou aproveitando a chance para dar uma opção diferente à torcida.

Gilson Presídio – Vamos democratizar o clube. Vamos procurar uma convivência harmônica entre as linhas divergentes no clube. Precisamos estar todos unidos para corrigir os erros. Precisamos estar juntos para buscarmos o  título nacional no próximo ano. Por isso, estamos propondo a democracia vitoriana.

Ricardo David – O Vitória é um clube de futebol, e se entregou a gestão do futebol para um homem só. Tem que ser uma equipe, não se pode deixar tudo na mão de uma pessoa só. Tenho certeza que, como presidente do Vitória, vou levar para vocês aquilo tanto almejam: um Vitória efetivamente vencedor.

E as contratações? Qual  é o perfil de atleta que o Vitória vai buscar no mercado da bola?

MM – Vamos sentar para conversar com Vagner Mancini e toda comissão técnica. Faremos isso com tranquilidade porque temos experiência, e temos uma relação muito próxima com a atual comissão técnica. O torcedor deve lembrar que fomos nós que trouxemos Mancini em 2015. Então, acho que vai ser uma relação muito profissional.

RV – Precisamos ser conscientes, termos organização e planejamento.  Não é mudar o time todo ano, isso é um absurdo. Deveria contratar dois, três atletas para completar o elenco ou suprir ausências que acontecem de vez em quando. É preciso ter calma nesse momento e muita tranquilidade para não erramos novamente.

TR – Antes de qualquer coisa precisamos criar uma identidade, um DNA rubro-negro. Quero um jogador que tenha identidade com o clube. Não quero que venha se aposentar aqui. Tem que vir para ajudar, quero que o Vitória entre nas competições para disputar e não ser participante. Esse ano falhamos nas contratações, trouxemos muitos jogadores que não corresponderam e ficaram, por exemplo, muito tempo lesionados. Não pode ocorrer mais essas falhas.

GP – Como havia dito. O clube será gerido de forma democrática. Toda e qualquer situação, vamos colocar  para o sócio-torcedor que está nos acompanhando, que nos elegeu e faz parte do grupo. Ele vai nos ajudar a gerir o clube, tanto no quesito das contratações, como na gestão.  

RD – Obviamente que os contratos vigentes serão cumpridos ou negociados. Nesse caso serão os atletas que têm contrato até o final de 2018, 2019, e que não estão nos nossos planos. Estamos em processo de avaliação de atletas. Queremos formar um elenco não da maneira que foi formado o deste ano, sem planejamento. Vamos, sim, partir para o mercado, buscar os talentos, mas vamos fazer isso de maneira planejada.

E as divisões de base? Sempre foi um ponto forte do Vitória a formação de atletas. O que vai ser feito para que o clube volte a ser novamente referência?

MM – Vamos implantar uma metodologia que posso ser comum a todos os setores do futebol. Esse nosso plano visa a dar ao atleta conhecimento e experiência para que o atleta quando chegue ao profissional não sinta tanto. Além disso, pretendo contratar um gestor de futebol que vai cuidar do sub-15 ao profissional. E ele vai ter que me mostrar resultados em todas as categorias. Mas não com títulos, que é o que a torcida cobra. Queremos preparar os jogadores.

RV – É preciso reequilibrar as finanças do clube, é preciso redefinir princípios sobre gestão em áreas específicas do clube, principalmente na área do futebol, a começar do profissional e em todas as divisões de base.

TR – Atualmente, a base não tem uma análise, ninguém a mapeia. O que quero fazer é integrar o centro de inteligência, que irei criar, à base. Além disso, o clube precisar ter um DNA, um estilo próprio de trabalhar para que o jogador já saiba o que encontrar quando chegar ao profissional.

GP – Vai ter um tratamento especial. O objetivo é um só: fazer com que todas as posições do time Sub-20 tenham algum jogador que possa entrar nos profissionais sem maiores problemas.

RD – Basicamente, a divisão de base terá três áreas. A primeira, de recrutamento e captação, onde vamos aumentar o número de observadores. Depois vamos ter a área de desenvolvimento, que são as equipes técnicas, nossa base terá todos os treinamentos monitorados com imagens. Por fim, a mais importante que eu julgo: a área de transição. Não podemos lançar um talento no grupo profissional do nada. Tem que haver uma certa preparação. É justamente essa área que considero essencial. Fonte Aratu Online

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