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16 April 2021
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Pokémon GO: você pensa que está caçando? O caçado é você

A nova febre digital o Pokémon GO chegou no Brasil em agosto com várias polêmicas, positivas e negativas, o jogo Pokémon GO desde então, vários usuários correram para “baixar” o aplicativo e iniciar à caça aos bichinhos virtuais.

O que tem sendo falado em vários sites de tecnologia é que os usuários estão pondo sua vida pessoal exposta em troca da caçada.

O que muitos não sabem é que essas ferramentas podem funcionar como uma verdadeira porta de entrada para as empresas, que passam a ter acesso livre às informações que você armazena.  Em entrevista ao site Aratu Online o professor universitário e consultor na área de comunicação, Marcelo Chamusca:

“Em geral, todos os seus dados podem ser acessados, assim como os locais que você frequenta. No caso do Pokémon GO é pior ainda, já que o usuário utiliza a câmera dos dispositivos, ou seja, até a sua casa pode ser mapeada. Em resumo, abre-se mão de toda e qualquer privacidade”.

Em um mundo capitalista, é de se estranhar que serviços sejam oferecidos de forma gratuita. O nível de “invasão” varia de acordo com cada aplicativo.

E depois de ler os termos a ansiedade para obter o aplicativo e começar a jogar, os usuários não se atentam para as regras, e depois não poderá ter arrependimentos.

Segundo a advogada especialista em direito digital, Ana Paula Moraes, “a partir do momento que você concorda, se tiver os dados vazados, não poderá reclamar ou processar a empresa responsável”.

Ana Paula identifica pelo menos dois problemas, que classifica como graves, no caso do Pokémon GO. O primeiro deles é que o jogo só exige a autorização dos pais e responsáveis em casos de menores de 13 anos, em uma “clara violação da legislação brasileira e do Estatuto da Criança e do Adolescente”.

A advogada diz ainda que a novidade, cuja lógica de acesso aos dados é a mesma usada pelo Facebook e Google, faz com que a Niantic, empresa responsável, possa chegar até à raiz do seu aparelho.

“Eles te obrigam a liberar tudo, inclusive coisas que não seriam necessárias para o funcionamento do jogo, ou você não consegue finalizar o processo. Podem, por exemplo, acessar fotos e vídeos, inclusive de terceiros, que tenham sido enviados pelo whatsApp”.

E o que é feito com esses dados? Por que eles são tão importantes no mundo digital? Chamusca explica que informação e conhecimento sempre funcionaram como uma espécie de mola do mercado. “Esses dispositivos dão a possibilidade de uma informação aprofundada e isso, obviamente, vale muito”.

Se você ainda não entendeu, seu conteúdo pessoal, de formas variadas, é transformado em dinheiro por estas companhias. “Elas têm a possibilidade de saber o que você fez, onde fez, com quem fez e como fez. Assim, vão criando um banco de dados, estabelecendo padrões de comportamento e consumo”.

Por isso, ao instalar o jogo e sair à caça de Pokémons pelas ruas da cidade, tenha sempre em mente: o caçado está sendo você. Pior, será capturado sem que se dê conta do que está acontecendo e, neste caso, não há prêmios ou bônus para quem passar de fase.

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