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21 September 2021

Você sabe o que fazer para ajudar alguém em uma crise convulsiva?

O iSaúde Bahia procurou o neurologista Dr. Humberto de Castro Lima Filho para essa orientação.

“Nesse tipo de crise, também conhecida como convulsão, o indivíduo cai no chão, se debate, pode morder a língua e ter uma salivação excessiva”.

É muito importante orientar o que deve ser feito se alguém presencia uma pessoa epiléptica tendo uma crise convulsiva. Nesse tipo de crise, também conhecida como convulsão, o indivíduo cai no chão, se debate, pode morder a língua e ter uma salivação excessiva.

A primeira coisa que devemos deixar claro é que a saliva não transmite a epilepsia. Essa não é uma doença contagiosa. Você pode muito bem ir socorrer e ajudar. Porém, um erro muito grande é a ideia de que temos que segurar ou puxar a língua da pessoa. Isso é um erro! Você pode atrapalhar essa pessoa, lesá-la e até se machucar. O indivíduo pode morder seu dedo e você passar de socorrista a vítima da situação. Portanto, a primeira coisa a fazer é NÃO puxar a língua do indivíduo, NÃO colocar nada na sua boca, como colher, meia etc.

O que fazer, então?

Bom, você deve procurar proteger o indivíduo, se possível, para que ele não se machuque. Geralmente você já vai encontrar a pessoa no chão, enquanto ela está se debatendo. Portanto, proteja a pessoa. Se possível coloque algo macio embaixo da sua cabeça, como um travesseiro ou uma toalha.

“Deixe o espaço à sua volta o mais livre possível para que nenhum objeto caia sobre ela”.

Deixe o espaço à sua volta o mais livre possível para que nenhum objeto caia sobre ela. Não tente segurar a pessoa pelos braços ou pelas pernas, pois isto pode causar mais dano. Enquanto a pessoa ainda estiver se debatendo, não adianta virá-la de lado, nem tentar nenhuma outra forma de imobilização.  Apenas proteja a pessoa ao redor do ambiente e NUNCA coloque nada na sua boca (nem panos, colher, nem tente puxar a língua).

O que fazer quando a convulsão terminar?

Quando passar a crise convulsiva e quando a pessoa parar de se debater, aí sim, você deve virá-la de lado, ainda deitada, com a cabeça apoiada sobre o braço com as vias aéreas (nariz e boca) liberadas, sem nada na frente para que ela consiga respirar adequadamente e para que a salivação excessiva não seja aspirada para os pulmões. Essa é a posição que chamamos de recuperação.

Aos poucos, a vítima da crise convulsiva vai recobrar a consciência. Inicialmente ela não vai saber bem o que aconteceu, mas, gradualmente, vai voltar ao normal.

Na grande maioria das vezes, as crises duram menos de três minutos, porém, há casos em que podem se prolongar ou ocorrem várias crises na sequência. Isso já é considerado um caso de emergência e essa pessoa deve ser imediatamente encaminhada para a unidade de saúde mais próxima, de preferência entrando em contato com o SAMU (192).

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As crises contínuas é o que chamamos de estado de mal epiléptico. Nesses casos, o indivíduo deve ser encaminhado para uma UTI, onde ele vai ser sedado para que suas crises sejam interrompidas.  É um caso grave, porém, na maior parte das vezes consegue-se reverter completamente o quadro.

Por: iBahia Saúde

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