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22 June 2021

Wagner acalma aliados baianos sobre cargos federais

Partidos como o PCdoB, PSD e PP já teriam contado com a ajuda do líder petista

Com a ajuda do ex-governador e ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, na distribuição dos cargos federais, as reclamações em relação ao secretário de Relações Institucionais do Estado Josias Gomes diminuíram. Pelo  menos é o que circula nos bastidores, desde quando deputados federais começaram a ser contemplados, como é o caso do coordenador da bancada baiana no Parlamento, José Carlos Araújo (PSD), que indicou o nome de Fernando Ornelas para ocupar a superintendência do Iphan na Bahia.

Wagner estaria fazendo tudo com muito tato, característica que lhe é peculiar e que lhe rendeu o comando da Casa Civil, para amenizar a crise política instituída no governo da presidente Dilma Rousseff este ano.  Ele estaria ainda operando para acomodar aliados importantes que podem ser úteis à sua chefia e às suas relações no estado.

Recentemente, Wagner indicou para comandar a Fundação Nacional de Saúde no Estado o turismólogo Vicente Neto (PCdoB), e entregou ao coordenador da bancada baiana o cargo que era ocupado por Carlos Amorim, técnico renomado, mas que se envolveu em diversas polêmicas, como as demolições das fachadas de casarões antigos que existiam na Ladeira da Montanha.

Quem também foi indicado para assumir a direção da Codevasf na Bahia foi um nome do PP, que também passou pelas mãos do ministro da Casa Civil. O próximo cargo a colocar um aliado seria o da Delegacia do Ministério do Trabalho, onde atualmente está Severiano Alves (PDT), que assumiu quando a sigla ainda não tinha se aliado ao prefeito ACM Neto (DEM).  Também deve passar pelas mãos do ex-governador da Bahia os próximos nomes que assumirão a Superintendência da Caixa, a Secretaria de Patrimônio da União e a Superintendência de Pesca.

Segundo o deputado José Carlos Araújo, as reclamações que vinham da bancada melhoraram, no entanto, ele não soube entrar em detalhes porque disse estar muito ocupado com suas funções como presidente do Conselho de Ética, em meio à possibilidade da saída de Eduardo Cunha (PMDB) da presidência da Câmara. “Eu lhe confesso que há duas semanas não fiz outra coisa a não ser cuidar do Conselho de Ética. Mas sei que alguns cargos já foram liberados, inclusive o do deputado Paulo Magalhães”, destacou.

É no Conselho presidido por  Araújo que será apreciado o pedido de cassação de Cunha. Por isso, muito se fala que a doação do cargo do Iphan ao deputado seria uma tentativa do Planalto de agradá-lo para que prolongue a análise do pedido de cassação de Cunha, poupando-o de uma votação no Congresso.  Em troca, Cunha também começaria a dificultar a aprovação do pedido de impeachment feito pela oposição na Casa.

Após essas especulações, o Planalto e o presidente da Câmara se pronunciaram publicamente e afirmaram que as informações não procedem. Conforme Araújo, o andamento da análise no Conselho de Ética está a todo vapor. “Hoje foi a segunda sessão, e teremos outras. A pressão é muito grande, inclusive a pressão do povo, da sociedade. Em qualquer lugar que eu vou o povo pergunta se vai cassar o Eduardo, se ele vai deixar a presidência. Eu estou me dedicando a essa situação”, informou.

Polêmica – Em maio, a bancada baiana estava reclamando que a divisão de cargos estava travada e  que o secretário Josias Gomes não estava dando atenção para a questão. Os parlamentares federais chegaram a tentar uma reunião com o governador Rui Costa

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